sábado, 23 de abril de 2011


O Arteterapeuta: facilitando os caminhos expressivos da alma

 Por  Carla Maciel

Dia 22 de abril, agora também Dia do Arteterapeuta.

Após longo período de inconsciência, resistência e rigidez do modelo patriarcal
vigente, é chegada a hora de reverenciarmos e comemorarmos o poder e a autenticidade do trabalho terapêutico com a arte.
Na sociedade contemporânea ocidental, com seus desequilíbrios e valores invertidos, somos constantemente instigados a trocar a possibilidade do novo pelo conforto e segurança do conhecido. Embotamos nossos impulsos primitivos, inibimos a fluidez entre opostos, engessamos o corpo, abandonamos o nosso rico repertório de potencialidade em prol de uma existência “normótica” e socialmente aceitável e calamos assim, disfarçadamente, a voz da nossa alma. Quanto mais rígidos e inflexíveis, maior (e menos negociável) é a dissociação interna. Os sintomas físicos e emocionais,
expressões diretas de desordem e conflito, se multiplicam como genuínos apelos à
autoregulação da psique. A rota em direção à saúde psíquica, que pressupõe a integração e completude, no sentido de tornar-se inteiro ou indiviso, nos leva à necessidade, mais que urgente, de encontrar formas e espaços de expressão da subjetividade.
Os conteúdos psíquicos se expressam de forma imagética e a arte apresenta-se
como uma das vias mais ricas e prazerosas de se acessar esse universo simbólico. Logo, encontramos na Arteterapia um caminho para que seja possível materializar essas
imagens internas, que quando passíveis de confronto, elaboração e integração, nos
movimentam para uma vida mais autêntica, plena e harmônica.
Cabe ao arteterapeuta o papel de testemunhar e acompanhar a jornada heróica
em busca da realização do si-mesmo (Self), incentivando e facilitando no cliente o
resgate do tesouro perdido nas instâncias sombrias da psique: seu potencial criativo.
Criando formas e corporificando símbolos, o indivíduo se recria, reconstruindo a sua
autoestima e autonomia, tornando-se agente transformador da sua realidade interna e
externa. O arteterapeuta é o catalisador e mediador desse processo, aquele que germina
o desenvolvimento de potencialidades latentes e testemunha o florescer de novas
condutas e padrões de funcionamento. Ao facilitar os caminhos expressivos, o
arteterapeuta possibilita reverter vivências dolorosas, e muitas vezes traumatizantes, em
experiências psiquicamente suportáveis e unificadoras.
Ser arteterapeuta é estar disposto a “ouvir” o que simbolicamente é produzido no
encontro, abandonando seus julgamentos e enxergando o belo na originalidade e
singularidade de cada expressão. É necessário, para tanto, atentar-se para a qualidade da presença no setting terapêutico, que exige sobretudo o distanciamento de todo
conhecimento teórico adquirido, assim como desprender-se dos limites e controles do
ego e confiar na intuição, abrindo espaço para o criativo e deixando que a alma assuma
a cena, com a certeza de que ambas as partes sairão transformadas, pois, apoiados na
idéia da sincronicidade, sabemos que ninguém chega por acaso ao nosso encontro.
Para que equívocos sejam evitados nessa profissão, faz-se necessário desvencilhar-se da armadilha da inflação do ego, que, nesse estágio, acredita que ocupa o lugar do saber sobre o outro, nutrindo a ilusão de que tem o poder e o controle sobre a vida do seu paciente. Outro grande risco recai sobre as interpretações baseadas unicamente em códigos pré-estabelecidos de significados, que negligenciam a particularidade de cada sujeito como caminho essencial para uma leitura legítima e menos passível de erro.
Buscar o autoconhecimento através de um processo terapêutico, ou seja, estar em dia com as suas próprias imagens internas é requisito fundamental para o arteterapeuta. O mito de Quíron, personagem da mitologia grega que sofria de uma ferida incurável e que encontra no seu sofrimento a ressonância capaz de fazê-lo se sensibilizar com o sofrimento alheio, desenvolvendo a arte da cura, nos permite compreender que reconhecer e acolher a nossa própria ferida a transforma e nos possibilita lidar com a ferida do outro. Lembremos que o terapeuta só pode levar o seu cliente até onde ele já esteve e que o mesmo só conseguirá desbloquear a criatividade no outro se estiver exercitando-a em sua própria vida, buscando um constante aprimoramento.
Arteterapeutas são legítimos “curadores” de grandes “exposições”... curadores, sim, enquanto facilitadores de significativas exposições de auto-retratos da psique. Eles coordenam o “museu” da alma, no sentido original da palavra museion, a verdadeira “casa das musas”, onde ambos, cliente e terapeuta, se inebriam e se comovem com tamanha beleza e inspiração...


*Carla Maciel é psicóloga, psicoterapeuta junguiana e especialista em Arteterapia pela
Universidade Denis Diderot Paris VII – França. Atualmente é professora, supervisora e
coordenadora da Pós-Graduação em Arteterapia Junguiana do Instituto Junguiano da Bahia.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Workshop - A Colagem e a Arteterapia


Por Silvio Alvarez

Como já contei aqui outras vezes, a arte da colagem entrou na minha vida de forma surpreendente. Ao passar por um momento bastante difícil, e sem nunca ter demonstrado qualquer aptidão para o desenho ou para a pintura, acabei por utilizar a técnica do recortar e colar, intuitivamente, para conseguir externar meus sentimentos e seguir meu caminho.

Há alguns anos, por intermédio das redes sociais, conheci a artetepeuta Patrícia Pinna Bernardo, e, com ela, descobri que, “sem querer querendo” havia trabalho meu interior empregando a Arteterapia.

O workshop, divulgado abaixo, nasceu da necessidade de demonstrar a um número maior de pessoas, que a Arte pode ajudar muita gente, que pode ir muito além de sua função decorativa, pendurada na parede. O evento também brotou naturalmente como se já estivesse agendado “lá em riba” há muito tempo.

Na organização do workshop está a querida Sandra Siciliano, que, em certo e crucial momento, nos mostrou que, no momento certo, o sonho poderia virar realidade.

     Workshop com Patrícia Pinna e Silvio Alvarez

Dia 21 de maio, sábado, das 15 às 19hs

A COLAGEM E A ARTETERAPIA:

"SOMOS NATUREZA VESTIDA DE GENTE!"

(As Árvores agradecem!)

"Pode ser que alguma pequena raiz da árvore sagrada esteja ainda viva. Nutre ela bem para que ela se cubra de folhas e volte a florescer, se enchendo com o canto dos passarinhos." (Alce Negro)

Nesse workshop Silvio Alvarez, artista plástico, apresentará a técnica da colagem, com sua história e características, mostrando a riqueza desse trabalho e aplicações possíveis.

Patrícia Pinna, psicóloga e arteterapeuta, explanará sobre os benefícios da Arteterapia e mostrará como a arte da colagem pode ser empregada como caminho para o autoconhecimento. Patrícia falará ainda sobre o tema da “Árvore da Vida”, recorrente em diversas mitologias, e que sentido isso pode ter para o homem atual, num momento planetário em que as florestas estão sendo sumariamente devastadas, o que se reflete na degradação das relações eu-outro-meio ambiente.

Silvio transmitirá então os conceitos básicos da técnica para que os participantes possam desenvolver um trabalho de colagem a partir do tema proposto.

Quando: 21 de maio, sábado, das 15 às 19 horas

Investimento: R$ 150,00

Onde: Pinheiros - São Paulo/SP

Maiores informações e inscrições: pelo tel (11) 3032-5554 (falar com Sandra Siciliano, organizadora do evento) - vagas limitadas!

*Os participantes deverão trazer 5 ou mais revistas variadas. Outros materiais serão fornecidos por Silvio.

Coordenadores do workshop:

Patrícia Pinna Bernardo

CRP: 06/16725 AATESP: 056/0905

www.patriciapinna.psc.br


Coordenadora da Pós-graduação em Arteterapia e em Arteterapia Aplicada: saúde, artes, educação e organizações (UNIP). Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), arteterapeuta e psicoterapeuta, atuando há 28 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora universitária e supervisora de trabalhos clínicos e institucionais.

Autora da coleção:

A PRÁTICA DA ARTETERAPIA: CORRELAÇÕES ENTRE TEMAS E RECURSOS

Vol I: Temas centrais em Arteterapia, Vol II - Mitologia Indígena e Arteterapia: a arte de trilhar a Roda da Vida, Vol III Mitologia Africana e Arteterapia: a força dos elementos em nossa vida, Vol IV Arteterapia e Mitologia Criativa - orquestrando limiares, Vol V - A Alquimia nos Mitos e Contos e a Arteterapia: Criatividade, transformação e Individuação.

Silvio Alvarez

http://www.silvioalvarez.com.br

Artista plástico paulistano, autodidata, trabalha com colagem desde 1989. O artista costuma dizer que a principal matéria-prima do seu trabalho, ainda mais importante do que o papel, é a paciência. Silvio recorta, uma a uma, imagens de revistas ou de folhetos publicitários para compor um mundo todo seu, mágico e surreal. Além de expor e comercializar suas obras, desenvolve projetos especiais para empresas ligados à sustentabilidade e ministra oficinas de colagem para todas as faixas etárias.

terça-feira, 8 de março de 2011


Livro
   Brincando de Fazer Poesia

  

Sabemos que a ousadia do artista está na inovação e na sua coragem de ‘dar a cara a tapa’, e nesse sentido, Walkíria de Andrade R. Freitas, se expõe desnuda e corajosa, literalmente, Brincando de Fazer Poesia, neste livro que nos chega às mãos de forma despretensiosa e leve, enriquecido por singelas ilustrações em preto-e-branco que complementam e ampliam o contexto dos textos.
Os poemas falam por si só, e se não possuem uma métrica rígida ou rimas preciosas, estão encharcados de sentimentos e pensamentos femininos, feministas e humanos, propondo ao leitor um contato mais profundo com o seu interior e mais perplexo com seu exterior, talvez ‘sensível demais’, mas não piegas como se pensa.
Lá está a Artista Plástica, misturando palavras e sentimentos como quem mistura cores, buscando novas nuances para uma realidade constatada na experiência vívida, vivida e analisada.
Vale a pena a leitura!

Comissão Editorial.

Disponível em: http://www.agbook.com.br/book/39480--Brincando_de_fazer_poesia  também na versão e-book.

segunda-feira, 7 de março de 2011



Foto: Walkíria Andrade

Ela canta, dança e lava com água de cheiro a escadaria da Igreja de Itapuã na festa deste bairro, que um dia foi "poesia".

 Walkíria Andrade F.


terça-feira, 1 de março de 2011



Carnaval, um convite dionisíaco através da arte popular
Por Carla Maciel*

“A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho pra fazer a fantasia de rei ou de pirata ou jardineira...pra tudo se acabar na quarta-feira...Tristeza não tem fim, felicidade sim.” Sim, foi assim que Jobim e Vinícius nos cantaram o carnaval, a maior festa popular do mundo, que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C., quando os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção, e que chegou ao Brasil em 1723, sob influências européias. Um momento de sonho, de intensa felicidade (e quase sempre de euforia - eu fora de mim), que, pelo seu caráter de arrebatamento e gozo extremo, nos remete ao mito de Dioniso, o Deus do êxtase e do entusiasmo. A palavra “Entusiasmo” (en + teos) etimologicamente significaria cheio de deus, possuído pelo deus, divino, mais amplo, desconhecido. Porém, isso pensado a partir de Dioniso, nos remeteria a um deus corpo-terra, e não, um deus das alturas e iluminações. É na inclusão da corporeidade e suas finitudes que Dioniso buscará o êxtase (ex estar), ou seja, o movimento, a transformação, a perda das formas. É fazendo esse corpo dançar, cantar e excitar-se que o que parece fixo e constante vai se misturando com outras realidades e expandindo sua existência. E o que seriam os blocos carnavalescos senão as bacantes que vão atrás de Dioniso, cantando, dançando, experimentando os prazeres da liberdade, do sexo e do sentimento de onipotência?

Pelas vias da expressão artística, sobretudo da dança, canto e música, no período carnavalesco, tendemos a afrouxar o controle do ego, dissolvendo suas amarras e filtros, abrindo espaços para que outras instâncias psíquicas se manifestem. Momentaneamente distantes do que nos engessa e inquieta cotidianamente, e com o caminho livre para que novas linguagens sejam acessadas, nos embalamos numa experiência de catarse emocional, ou seja, de canalização de energia psíquica contida. Sob a regência de Eros, símbolo da energia vital que nos move, nos entregamos de corpo e alma à experiência de ser tudo e nada, de vestir e explorar várias máscaras, desacorrentando e projetando desejos e potenciais reprimidos ou desconhecidos. Nos sentimos autorizados a cair nos braços dionisíacos da tentação fantasiada de liberdade, braços que nos carregam para longe dos limites da consciência, e protagonizamos intensas catarses que se espalham pelas avenidas. Sabemos o quanto é difícil não sucumbir a esse convite, ainda mais

quando enfeitiçado pelas gargalhadas do jovem Deus. O perigo, porém, se apresenta à festa quando o ego perde a relação e o diálogo com a totalidade da psique, pois aí vivenciamos os movimentos propostos por Dioniso através da negação, que nos leva a uma vivência de um estado dissociado onde o inconsciente vai se estruturar como contra-força. Parece-me ser a realidade dos camarotes "open bar" (com seu público estático, disposto apenas a assistir o carnaval sem se envolver com ele) que prometem uma imersão numa realidade onde só o belo será vivido, às custas de uma negação das outras possibilidades, gerando uma legião de pessoas apenas embriagadas, e sem entusiasmo.

A intensidade e a ânsia características dos foliões estão relacionadas com a efemeridade da festa, com a sensação de que se tem que tirar o máximo proveito dessa experiência, afinal, ela tem prazo de validade. O mesmo acontece com a ardente paixão dos amantes, a surpreendente disposição em viagens ou a atração avassaladora pelos docinhos nas festas infantis...ou seja, o que aumenta a adrenalina e potencializa o prazer é a constatação da impermanência e transitoriedade de alguns momentos, é saber que a roda do tempo poderá, por vezes, trazer um pouco de cinza ao que antes era só colorido, mas... voltemos ao carnaval! Há quem defenda que o termo deriva de “carne vale” (adeus carne!) ou “carne levamen” (supressão da carne), uma referência ao fato da festa anteceder a quaresma, iniciada na quarta-feira de cinzas, um período originalmente de reflexão espiritual, mas também de privações, inclusive de ordem alimentar (carne). Havia uma tendência a liberar e extravasar o que fosse possível, já que a contenção e o afastamento dos “prazeres da carne” seriam inevitáveis.

Ao pensar sobre os diversos enfoques que poderiam ser dados a esse artigo, fui capturada pela urgência de nos rememorar sobre a importância de se resgatar o carnaval como convite à expressão artística, como espaço onde processos criativos acontecem, possibilitando consequentemente o movimento de transformação e cura. Diante da infertilidade criativa da axé music e do crescimento da indústria do carnaval, que prioriza o lucro à cultura popular e a massificação ao respeito às diversidades, o carnaval enquanto campo fértil de realização criativa vem se estreitando, assim como a participação da grande massa na festa. Precisamos de integração e não segregação, de mais raiz e menos purpurina. Ainda que considerados “alternativos”, e que não recebam o valor e o destaque que merecem, os blocos afros, as rodas de samba, os bailes de máscaras e as manifestações folclóricas ainda preservam a identidade dessa festa como autênticos canais de expressão e criação artística. Com a experiência dos blocos afros,

sentimos as nossas raízes históricas e culturais serem provocadas e despertadas, ecoando internamente. Reencontramos a nossa ancestralidade e somos emocionadamente convidados, diante da força e do poder das batidas dos tambores, a nos mover na dança da vida. Já o samba, ele canta o amor e a dor, as nossas emoções mais profundas, nos devolvendo à nossa condição humana. Nesses espaços, o ego-corpo é convidado a se misturar com sons, tons e movimentos que o retiram da unilateralidade e solidão costumeiras e abrem possibilidades de encontro, ampliando a experiência do próprio ego sem a condução do mesmo. O ego é convidado a se relacionar com as polaridades e, a partir da inclusão, encontrar soluções criativas para os seus conflitos. Se além de promover uma catarse eufórica o carnaval também consegue acionar o potencial criativo dos milhões de foliões, ele pode ser uma belíssima e poderosa experiência catalisadora da cura. Assim como a vivência onírica, podemos entender o carnaval como um momento de fuga, de fantasia e irrealidade, mas também como uma experiência de crescimento, transformação e integração. De um jeito ou de outro, ninguém sai do carnaval da mesma forma que entrou, isto é certo! Deve ser por isso que Dioniso ri...

Não há dúvidas quanto ao poder da arte enquanto fonte inspiradora e canal de grandes mudanças. Sabe-se também que nenhuma transformação (transformar a ação) é possível se nos faltar a senhora inspiração, musa mor que nos coloca em contato com a nossa luz divina. Então, despeço-me com a esperança de que possamos abrir alas para que mais espaços de criação possam desfilar pelas nossas avenidas internas, nos inspirando e renovando a nossa relação conosco e com o mundo. Aí é só festejar... “é carnaval não me diga mais quem é você/Amanhã tudo volta ao normal/Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar/Que hoje eu sou da maneira que você me quer/O que você pedir eu lhe dou/Seja você quem for, seja o que...” Dioniso quiser!!!


Carla Maciel é psicóloga, psicoterapeuta junguiana e especialista em Arteterapia pela Universidade Denis Diderot Paris VII – França. Atualmente é professora, supervisora e coordenadora da Pós-Graduação em Arteterapia Junguiana do Instituto Junguiano da Bahia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

                     
Você sabe o que é Arteterapia?


Celeste Carneiro

Arteterapia é um recurso terapêutico que se utiliza da arte para prevenir e tratar o sofrimento psíquico gerado por diversos fatores. Tem como estrutura básica as teorias da Psicologia como a Psicanálise, a Psicologia Analítica, a Gestalt-terapia, a Transpessoal, dentre outras abordagens, além do conhecimento e de vivências dos processos da criatividade.

Integrante das Terapias Complementares, é um instrumento importante para acompanhar pessoas que experimentam doenças, traumas, estresse, desenvolver recursos físicos, cognitivos e emocionais, estimulando o autoconhecimento com o objetivo de proporcionar uma vida mais saudável.

O tratamento com a Arteterapia propicia mudanças psíquicas, facilita a expansão da consciência, oferece formas criativas para resolução de conflitos internos e estimula o desenvolvimento do potencial humano. Possui a capacidade de revelar e modelar a personalidade dos indivíduos, restaura a criatividade, aumenta a auto-estima e a segurança emocional, realizando o tratamento biopsicossocioespiritual.
Nos atendimentos são estimulados os recursos da imaginação, o simbolismo, os sonhos e a metáfora para enriquecer o processo terapêutico.
A eficácia do tratamento com arte foi descrita, inicialmente, no século XIX pelo médico alemão Johann Christian Reil, criador de um protocolo (procedimentos a serem seguidos) de seu emprego no tratamento dos pacientes com doenças mentais. Outros psiquiatras deram atenção ao seu efeito, mas, quem mais aplicou e difundiu o uso de expressões artísticas em consultório foi o psiquiatra suiço Carl Gustav Jung, no século XX. No Brasil, dentre outros, destacamos o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira idealizadora do Museu do Inconsciente e o trabalho com mandalas realizados por seus pacientes.
Centenas de trabalhos científicos já foram publicados nas áreas de literatura médica e psicológica internacional, especialmente nos Estados Unidos e Europa, assim como livros no Brasil e no exterior, relacionados ao efeito da Arteterapia em diversas necessidades: crianças hospitalizadas; pacientes de câncer; pessoas com dificuldade de aprendizagem; distúrbios psiquiátricos tais como esquizofrenia, depressão, estresse pós-traumático, autismo, transtornos alimentares, distúrbios de ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo; recuperação de algumas lesões neurológicas, em especial as sequelas de traumatismo craniano, acidente vascular cerebral e paralisia cerebral. Em idosos, existem relatos de equilíbrio do humor e das funções cognitivas assim como melhora em indivíduos com mal de Alzheimer e outros tipos de processos demenciais. Também há relatos de pacientes com infertilidade que estão fazendo fertilização in vitro e que se beneficiaram dos recursos da Arteterapia.
Para exercer a atividade de Arteterapeuta é necessário ter curso superior e especialização em Arteterapia, que oferece treinamento em arte e em terapia. Os cursos de pós-graduação em Arteterapia têm mais de 500 horas, incluindo estágio supervisionado e Trabalho de Conclusão de Curso. Faz parte da área de humanas e da saúde como Psicologia, Medicina, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Assistência Social, Artes, Educação e Arte-educação. O curso deve ser validado pela União Brasileira de Arteterapia (UBAAT) e, uma vez concluído, o Arteterapeuta se cadastra na Associação de Arteterapia do seu Estado para trabalhar como tal.
Seu campo de ação abrange tratamentos, avaliações, pesquisas e consultoria a profissionais de áreas afins, podendo atuar individualmente ou em grupos nas distintas organizações das áreas de Saúde, Educação, Comunidade, Empresas e em Ateliê Terapêutico particular.
A Arteterapia foi sistematizada pela americana Margareth Naumburg em 1941 e em 1969 foi fundada a Associação Americana de Arteterapia (American Association of Art Therapy). Em vários países existem Associações de Arteterapia, e no Brasil são bastante atuantes as Associações nos diversos Estados, promovendo Congressos científicos, Fóruns, Simpósios, onde os profissionais são atualizados e podem apresentar o resultado de suas pesquisas. Aliado às Associações de Arteterapia temos os Congressos Brasileiro de Medicina e Arte, enriquecendo a todos nós.

Os cursos são oferecidos em vários estados do Brasil e no exterior. Na Bahia, temos o curso de pós-graduação em Arteterapia promovido pelo Instituto Junguiano da Bahia em parceria com a Escola Bahiana de Medicina, que já se encontra na sua 9ª turma.
Para conhecer mais sobre o tema, visitem os sites das Associações e os endereços dos Arteterapeutas credenciados.

O raciocínio lógico leva você de A até B. A imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser.
Albert Einstein
Arte é a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida.
Carl Gustav Jung

Assim como o corpo fala, o desenho diz por meio do inconsciente, aquilo que, por cautela ou autocensura, o seu autor não se permite verbalizar.
Valdeci Gonçalves da Silva
Fontes:
Carneiro, Celeste. Arte, Neurociência e Transcendência. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2010.
Sei, Maíra Bonafé. A formação em Arteterapia no Brasil: contextualização e desafios. Textos do III Fórum Paulista de Arteterapia. - São Paulo: Associação de Arteterapia do Estado de São Paulo, 2010. 163p.

Celeste Carneiro é Arteterapeuta Junguiana e Transpessoal, Professora em cursos de pós-graduação. Autora de artigos e livros, dentre eles Criatividade e Cérebro (Ed. Ponto & Vírgula) e Arte, Neurociência e Transcendência (Wak Editora).

Contato: 71 3497-1306 / 8874-1155 / cel5@terra.com.br - http:// www.artezen.org - http://criatividadeecerebro.blogspot.com/

domingo, 7 de novembro de 2010

          FORMATURA NO     INSTITUTO JUNGUIANO DA BAHIA
                         Carla Maciel, Carlos São Paulo, Aicil, Ermelinda

No dia 6 de novembro de 2010, aconteceu na Casa do Comércio, mais um evento promovido pelo Instituto Junguiano da Bahia.
Foi um dia de alegrias, pois as turmas puderam se reencontrar. Depois de um dia repleto de apresentações de trabalhos, conforme programação divulgada dias atrás, aconteceu o Ritual de Formatura.


É interessante esclarecer que todos os formandos já estão habilitados a exercer suas atividades assim que cumprem toda a carga horária e exigências de cada curso, mas mesmo assim, não deixa de ser um momento de emoção. É o ritual vivenciado em grupo e que marca a nova etapa.
Registrei alguns momentos do evento e como uma homenagem à todos os que participaram elaborei um pequeno vídeo (idéia oferecida por minha querida companheira Naranda Borges em uma troca de emails no grupo da nossa turma).
Pois é...terminamos a pós-graduação em 2009, mas continuamos em contato, torcendo uns pelos outros e trabalhando juntos em muitos projetos que visam fortalecer e divulgar a Arteterapia.

                                                                            A Turma
Uma turma que questionou, que emocionou e emocionou-se....uma turma que acreditou sempre que estava no caminho certo. Estórias pessoais misturando-se e criando uma única estória...Será arte?
Se a arte tem o poder de comunicar...assim nós fizemos e através dela nos comunicamos, trocamos experiências e crescemos juntos.

Muita paz,
Ana Passaro

sábado, 30 de outubro de 2010


Mais que uma monografia, o livro ARTETERAPIA EM CONSULTÓRIO, de Walkíria Andrade R. Freitas, é um relato sincero de uma profissional que expõe sua prática numa verdadeira “Viagem Interior”. Embora seja resultado de um trabalho acadêmico, o livro atrai o leitor para o conhecimento de informações sobre o histórico, conceituação, pressupostos e metodologia da Arteterapia.
Além do significado e importância da prática das expressões artísticas dentro do contexto terapêutico, buscando evidenciar, através de relatos de casos, a importância do processo no desenvolvimento da estrutura psíquica do ser humano, Walkíria nos leva ao íntimo de experiências humanas individuais, mas que podem muito bem servir de exemplo para nossas próprias vivências.
O enfoque na psicologia Analítica e sua utilização como meio de realizar a expansão da consciência, desenvolvendo o autoconhecimento através da expressão artística diversificada é o grande diferencial dessa arterapeuta, pós-graduada pelo Instituto Junguiano da Bahia e Fundação Bahiana para o Desenvolvimento das Ciências.
Artista Plástica com formação pela UFBA, Walkíria Andrade R. Freitas é também Terapeuta Floral e fica nos devendo agora um relato sobre sua prática nesta área.

Coordenação Editorial

sábado, 25 de setembro de 2010


Você tem direito de ficar triste
Apesar de ser temido por muitas pessoas, esse tipo de sentimento não somente é natural como necessário

                    Foto:  freitasjoycee.blogspot.com

É fato, que sem dúvida, é melhor ser alegre que ser triste tal como cantou o poetinha Vinicius de Morais, mas em tempos de busca de felicidade intensa e constante é importante pensar até que ponto a tristeza pode ser um sentimento ruim e se transformar, de fato, em uma doença como a depressão.

"A obrigação de ser feliz nos deu a falsa impressão de que é contraproducente ficarmos tristes, de que isso é algo necessariamente ruim. É preciso entender que a vida traz contingencialmente situações que nos obrigam e permitem nos voltarmos para nós mesmos, chorar quando é necessário e nem sempre ter prazer ou vontade de estudar, trabalhar, se divertir'', afirma a psicanalista Maria Eunice Santos.

Neste sentido, a tristeza, além de ser um sentimento natural é necessário. De acordo com o coordenador da Enfermaria de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Lucas Quarantini, ela é uma resposta a situações de perda ou de frustrações, em que são liberados hormônios cerebrais responsáveis pela angústia e melancolia.

"Assim como outros tipos de sentimentos, ela nos ajuda a sobreviver. Nos faz pensar, refletir sobre um fato e a buscar soluções, ajudando no amadurecimento. Por isso é importante vivê-la e não rejeitá-la", esclarece.

Portanto a tristeza também tem seu lado positivo. Como já defendiam os estudantes da teoria evolucionista, os sentimentos negativos fazem parte da natureza humana. Sem eles, seríamos presas fáceis das adversidades. Nessa mesma linha, o psicologo americano Edward Diener em seus estudos sobre a felicidade afirma: "Ser feliz demais não é bom. O contentamento em excesso torna as pessoas menos capazes, menos saudáveis, menos atentas a riscos", polemiza.

Na verdade, mais do que ir em busca da felicidade, evitar a tristeza vem sendo o ideal perseguido pela humanidade às custas, inclusive, de altas doses de medicamentos.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor teve um crescimento de 44,8% no Brasil em quatro anos. O volume de vendas desses medicamentos cresceu de R$ 674,7 milhões nos 12 meses acumulados até outubro de 2005 para R$ 976,9 milhões no mesmo recorte até outubro de 2009.

Na opinião da coordenadora de psicologia do Hospital São Rafael, Marta Souza Graça, mais do que buscar de forma desenfreada a felicidade, as pessoas não tem se permitido estar tristes. "O remédio virou uma fuga rápida e fácil para escapar da tristeza. Para algumas pessoas é muito mais fácil e cômodo tomar uma pílula do que enfrentar a dor", diz.

Essa fuga não apenas camufla uma tristeza que pode se desenvolver de forma muito mais séria no futuro, como ajuda a esconder os casos que realmente precisam de tratamento, causando uma enorme confusão entre o que é tristeza e depressão.

"Costumo dizer que, apesar do crescimento no consumo de antidepressivos, quem realmente precisa de tratamento não está no consultório. O depressivo não costuma correr para o médico em busca de ajuda. Ele normalmente, se isola, esconde o que está sentindo", esclarece o psiquiatra Lucas Quarantini. "(...) Ao contrário do que muitos pensam, a depressão é uma doença muito mais subdiagnosticada do que supertratada".

Os especialistas explicam que existem diferenças bem demarcadas entre tristeza e depressão. Ficar triste porque perdeu o emprego ou um ente querido é normal. "Ao contrário de uma tristeza comum, a depressão nem sempre tem uma causa específica. Pode ser algo vago, difuso, o paciente nem sempre consegue identificar o motivo real da tristeza", diz Quarantini.

Um outro fator importante é que a depressão está sempre acompanhada de outros sintomas, a exemplo de interesse por qualquer atividade, insônia, perda da libido e da energia, ideia de culpa, baixa autoestima e ideias suicidas.

Por Fabiana Mascarenhas


Referência:  CienciaVida@grupoaterde.com.br  09/05/2010

sábado, 4 de setembro de 2010


A Anima e O Animus

Imagem: edgeent.com 

Jung conceituou a anima como toda personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem, caracterizadas pelos “humores e sentimento instáveis, as intuições proféticas, a receptividade ou irracionalidade, a capacidade de amar, a sensibilidade a natureza e, por fim, mas nem por isso menos importante, o relacionamento com o inconsciente”. Já o animus personifica todas as tendências psicológicas masculinas na psique da mulher.

O caráter anima de um homem, segundo Jung, é geralmente determinado por sua mãe em suas manifestações individuais. E sua anima irá expressar-se de maneira positiva ou negativa de acordo com a qualidade da influência que sua mãe teve sobre ele. Se for uma influência negativa esse homem pode se comportar de maneira irritada, depressiva, incerta, insegura e susceptível. Mas isso pode servir-lhe para o fortalecimento de sua masculinidade se ele for capaz de ter controle e dominar essas tendências de cunho negativo. Jung diz que “no interior da alma deste tipo de homem a figura negativa da mãe-anima repetirá, incessantemente, o mesmo tema: "não sou nada. Nada tem sentido. Com todas as outras é diferente, mas comigo... nada me dá prazer". E esses sentimentos trazem uma espécie de apatia, medo, doenças, impotência ou acidentes. A vida ganha uma característica tristonha, opressiva, sombria, e esse estado psicológico pode até levar o homem ao suicídio e a anima torna-se então o demônio da morte.

A anima negativa de um homem também pode ser manifestada em sua personalidade no tipo de observação rancorosa, venenosa e afeminada que ele emprega para desvalorizar todas as coisas. Observação desse tipo sempre contém uma mesquinha distorção da verdade e são engenhosamente destruidoras.

Em contrapartida, segundo Jung, a anima do homem também poderá ser influenciada de maneira positiva se ele teve uma boa experiência com sua mãe. Por outro lado, se foi negativa, pode se tornar afeminado ou explorado por mulheres e agirá de modo a não ser capaz de enfrentar as dificuldades da vida. Pode também torná-lo um homem sentimental, melindroso ou sensibilíssimo.

A mãe é a primeira a receber a projeção da anima do filho, que se dá inconscientemente. Depois, durante o crescimento, o filho vai gradativamente dissipando essa projeção e direcionando-a a outras mulheres. A qualidade desta relação com a mãe determinará a qualidade dos relacionamentos do filho com as mulheres. "Para o filho, a anima oculta-se no poder dominador da mãe e a ligação sentimental com ela dura às vezes a vida inteira, prejudicando gravemente o destino do homem ou, inversamente, animando a sua coragem para os atos mais arrojados”.

“A manifestação mais frequente da anima é a que toma a forma de uma fantasia erótica” Na anima há também igual número de importantes aspectos positivos. É ela, por exemplo, responsável por escolher a esposa certa e por ajudar o homem a identificar os fatos escondidos em seu inconsciente quando o seu espírito lógico falha e se mostra incapaz de compreendê-los. Serve também como espécie de guia, um medidor entre o mundo interno e o Self.

O animus é a personificação masculina na mulher e, como a anima, apresenta os aspectos positivos e negativos. Mas o animus não costuma se manifesta sobre a forma de fantasias ou inclinação eróticas; aparece mais comumente como uma convicção secreta, sagrada. A masculinidade de uma mulher pode ser descoberta quando afirma algo com voz forte, insistente, impondo-a de maneira violenta ou agressiva. Entretanto, mesmo uma mulher bastante feminina pode ter a mesma força firme, rigorosa e inabalável. Jung ainda diz que, “de repente podemos nos deparar com algo de obstinado, frio e totalmente inacessível em uma mulher”.

O animus segundo Jung, tem como um de seus temas favoritos, e que “este tipo de mulher remói sem cessar: ‘a única coisa no mundo que eu desejo é amor - e ‘ele’ não me ama’; ou nesta situação existem apenas duas possibilidade e ambas são igualmente más".


O animus nunca aceita exceções. Como em geral a opinião do animus é uma opinião certa, não podemos contradizê-la facilmente. Entretanto dificilmente encaixa-se numa determinada situação individual, mesmo fora de propósito é uma opinião que parece aceitável. Jung diz que do mesmo modo que a anima masculina é influenciada e moldada pela mãe, o animus feminino também é moldado e influenciado pelo pai. O pai é o responsável por dar ao animus da filha “convicções incontestavelmente “verdadeiras”, irretrucáveis e de um colorido todo especial – convicções que nunca tem nada a ver com a pessoa real que é aquela mulher”. É por esse motivo que o animus, assim como anima, pode, algumas vezes, tornar-se o demônio da morte, porém Jung, complementa dizendo: “O animus negativo não aparece apenas como o demônio da morte. (...)... personifica todas as reflexões semiconscientes, frias e destruidoras que invadem uma mulher durante as horas da madrugada, especialmente quando ela deixou de realizar alguma obrigação ditada pelos seus sentimentos. É então que ela se põe a pensar nas heranças de família e em outros problemas do mesmo tipo – tecendo uma espécie de rede de pensamentos calculistas, de malícia e intriga, que a leva até mesmo a desejar a morte de outras pessoas”.

O animus, assim como a anima, não tem apenas aspectos negativos, “como a brutalidade, a indiferença, a tendência a conversa vazia, as ideias silenciosas, obstinadas e más”. Expressa também um lado positivo enriquecedor; “também pode lançar uma ponte para o Self através da atividade criadora”.

O homem quando se enamora por uma mulher, está projetando a imagem da mulher que há dentro dele. A pessoa que recebe a projeção porta então, um estado de receptividade, este estado Jung chamou de “gancho”. “O ato de apaixonar-se e decepcionar-se, nada mais é do que projeção e retirada da projeção do objeto externo”. A partir daí, ouvimos que a pessoa amada não é exatamente como se pensava, que não é como no início, que mudou, quando na verdade ela nunca foi aquela pessoa, ela só foi usada como suporte da projeção dos próprios conteúdos internos de quem se enamorou por ela.


Walkíria Andrade F.


Referência:

FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

domingo, 15 de agosto de 2010


Arteterapia no Colégio Márcia Mércia
Projeto "EDUCANDO PARA A PAZ

                  Exposição dos trabalhos do grupo

Na última sexta-feira, dia 13/08, aconteceu no Colégio Estadual Márcia Mércia, no Bairro de Mata Escura, através do projeto “EDUCANDO PARA A PAZ” a realização de oficinas de Arteterapia em grupo para os alunos do ensino fundamental e médio no turno da manhã e da tarde. Nas oficinas os alunos tiveram a oportunidade de pintar Mandalas e conhecer um pouco desta técnica tão difundida em todo o mundo, utilizada como veículo de auto-cura e agente facilitador do autoconhecimento.


A Arteterapeuta Walkíria e alunos

As oficinas foram dirigidas pela Arterapeuta Junguiana Walkíria Andrade F., que observou a mudança da turma durante a realização do trabalho com as mandalas e comenta: “(...) anteriormente os alunos encontravam-se agitados e desconfiados, após o trabalho, mostraram-se mais receptivos, afetivos e na maioria deles percebi que mexeu com sua autoestima. O resultado foi excelente!!!”. 

         
                Mandala  produzida na oficina de Arteterapia

“Nas mandalas estão contidos os símbolos sagrados, como a circunferência, o círculo, o quadrado e o triângulo. Estes símbolos procuram fazer a integração do céu com a terra, do masculino com o feminino, do que está m cima com o que está em baixo, da alma com a matéria”.
                         Walkíria e a professora Cecília
                                                                                  
O projeto “EDUCANDO PARA A PAZ” que já vem acontecendo em algumas escolas do município, é coordenado pela professora Maria Cecília Antunes de Carvalho e consiste na prática pedagógica através do símbolo de uma árvore, denominada por ela de “ÁRVORE DA PAZ”, voltada para a conscientização dos alunos, pais e professores com o objetivo de minimizar a violência e estimular sentimentos de confiança, bondade, amizade, amor, coragem, compaixão etc.


                              Walkíria e alunos
                                                                         
Estiveram presentes, dando apoio a oficina, a coordenadora do projeto Maria Cecília A. de Carvalho, a gestora da escola, Laura Rodrigues, a vice-diretora e demais professores.



Arteterapia e educação


Foto: Walkíria Andrade F.

Celeste Carneiro

Através da nossa experiência ao longo destas três últimas décadas trabalhando com Artes e Educação, pudemos constatar o quanto as atividades artísticas facilitam a aprendizagem de qualquer disciplina, sendo grandes parceiras na produção do conhecimento e do desenvolvimento do potencial humano.

Atividades como dramatização, música, artes plásticas, modelagem e toda uma gama de expressões artísticas, incluindo desenhos feitos no computador, enriquecem as aulas em qualquer nível de escolaridade.

Mais recentemente, em nosso país, o atendimento com Arteterapia tem servido para tratar os mais diversos problemas, tanto de aprendizagem como também para as questões mais difíceis e traumáticas, proporcionando uma visão mais rápida e profunda daquilo que infelicita as pessoas, uma vez que o seu instrumento é o símbolo e não somente as palavras.

A Arteterapia vem sendo usada em clínicas, hospitais, escolas, empresas, como mais um recurso de crescimento interior e bem-estar das pessoas.

A importância maior está naquilo que a arte revela do inconsciente e o seu efeito no consciente, melhorando o seu viver e o seu sentir.

O aprofundamento no estudo das características do ser humano, assim como das suas dificuldades, facilitará a atuação de quem lida com gente.

Numa sala de aula, por exemplo, estão reunidos alunos de diferentes formas de ser. Um professor hábil utilizará de recursos que atinjam a cada um de forma apropriada. O psicoterapeuta Carl Gustav Jung identificou quatro tipos diferentes de pessoas, ou quatro funções psíquicas, acrescidos da forma como elas se colocam no mundo: as que se identificam com o exterior são as extrovertidas; as que trazem suas impressões e valorizam mais o seu mundo interior são as introvertidas. As funções psíquicas são: pensamento - aquelas pessoas que ficam à vontade quando o assunto exige raciocínio lógico; sentimento - fazem julgamento a partir do que sentem; sensação - preocupam-se mais com o aqui e agora, o concreto, o material; e intuição - as pessoas que valorizam os seus sonhos, intuição, a imaginação e dão asas à sua criatividade.

Na aula, se forem utilizados recursos que atendam a todos esses tipos de personalidade, o rendimento será bem melhor. Poderemos usar, por exemplo, os recursos do Mapa Mental, a Imaginação Criativa, Associação, Exercícios de Relaxamento, trabalhos corporais, mandala, etc.

Com algumas dessas atividades as pessoas se aquietam, desenvolvem a atenção e a concentração, estimulam o raciocínio lógico, a habilidade com a Geometria, desenvolvem a organização interna, o que reflete no seu exterior.

Além do trabalho de treinamento de professores e atividades em sala de aula, a Arteterapia tem um lugar de muita eficácia no atendimento individual aos alunos que apresentam alguma dificuldade, seja ela de aprendizagem ou de ordem emocional e familiar.

Autora do livro Arte, Neurociência e Transcendência publicado pela WAK Editora.

www.artezen. org e http://criatividadeecerebro. blogspot. com/. Os livros estão em livrarias por todo o país e também podem ser adquiridos através dos tels (21) 3208-6095 (21) 3208-6113 ou pelo e-mail wakeditora@uol. com.br

sábado, 7 de agosto de 2010

A MANDALA

Mandala de Hamilton Junior
(2009)

Mandala é uma palavra sânscrita, significa círculo e é associada a instrumento que facilita a meditação, o autoconhecimento e a ritos mágicos, assim como é usada na arquitetura sagrada como planta de templos, tendo relação também com o mundo exterior.

Técnica executada desde o começo da civilização, difundida por todo mundo, foi na Índia e no Tibete onde foi mais usada e com consciência da importância da sua prática por aqueles que se interessam pela alma humana e perseguem o sagrado.

Jung estudou a mandala com muita profundidade e, conjuntamente com outros cientistas, aplicou essa técnica de desenho que possuía como objetivo cuidar, estimulando as pessoas a se importarem com o seu processo de crescimento, visando o alcance da plenitude que acontece através da Individuação.

Nas mandalas estão contidos os símbolos sagrados, como a circunferência, o círculo, o quadrado e o triângulo. Estes símbolos procuram fazer a integração do céu com a terra, do masculino com o feminino, do que está em cima com o que está em baixo, da alma com a matéria.

Carneiro (2004), diz que “(...) para beneficiar alguém com essa prática não é imprescindível uma interpretação da mandala. O simples fato da pessoa entrar em contato com essa imagem arquetípica, milenar já traz benefício”.

Torinelli (2009),também explica que a configuração de mandala harmoniosa dentro de um molde rigoroso, denotará intensa mobilização de forças auto-curativas para compensar a desordem interna. “(...) a configuração de mandalas é evidentemente um fenômeno que exprime tentativas de auto-cura não provenientes da reflexão, mas de um impulso instintivo”

Vamos construir mandalas, vamos pintar mandalas!!! E viva a paz interior!!!!!


Walkíria Andrade F.


Referência:
 FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

sábado, 31 de julho de 2010

As crianças e os seus segredos

  Desenho de Luana Duarte Baralde

Trabalhar com emoções e sentimentos da arteterapia ainda é pouco comum nas escolas. Técnicos realçam potencialidades do método para identificar problemas.

O lápis e o papel branco. A arte-terapeuta Mónica Mariano começa com o material mais familiar para se dar a conhecer ao grupo de seis crianças do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º ciclo do Ensino Básico. Os mais pequenos desenham e são estimulados a falar do que lhes vai na alma. Do papel para o barro, do barro para pinturas em papel cenário. Constroem-se casas em cartão, usam-se aguarelas para controlar as tintas mais líquidas. Há berlindes colocados na folha no momento do desenho para que se lide com a frustração de não se conseguir pintar o que se quer. Neste momento, a arte-terapeuta trabalha com marionetas numa das EB1 de Loulé, no Algarve. Mónica Mariano está a realizar o estágio do curso de arte-terapia. Pediu à escola de Loulé que indicasse quais os alunos que tinham problemas ao nível da aprendizagem e do comportamento. Entrevistou as crianças e os pais e seleccionou o grupo com o qual trabalha algumas horas por semana.

É preciso ajustar o método, escolher a arte mais adequada ao grupo. Mónica Mariano adianta que o que se passa dentro das quatro paredes da sala é guardado convenientemente. A arte-terapeuta não entra em grandes pormenores com os pais ou encarregados de educação. Aos professores vai perguntando se há ou não progressos. "Não entro em muitos pormenores. A criança está, de alguma forma, a entregar alguns segredos", explica. "Não vou muito ao detalhe porque a criança precisa dessa confiança", acrescenta. Trabalham-se emoções escondidas, sentimentos guardados que se exteriorizam através dos materiais que são colocados nas mãos. "As crianças podem pintar de outra forma, fazer outra coisa, sem ter de falar das emoções." No fundo, salienta, "trabalha-se mais a criança na sua espontaneidade". Para Mónica Mariano, "a arte-terapia funciona muito bem nas escolas, até em termos de adolescentes porque é um momento que têm para se exprimir, para falar dos seus problemas de uma forma mais livre, não estando restringidos às regras da escola". "É uma forma fantástica de falar das emoções e dos sentimentos", conclui.

Cristina Cruz é arte-psicoterapeuta há seis anos. Exerce psicologia e arte-terapia na EB 2,3 dos Louros na Madeira. Trabalha com alunos dos 10 aos 17 anos, do ensino regular e que frequentam cursos de Educação Formação. Uma sessão de arte-terapia tem três fases. "A primeira de acolhimento das crianças ou dos adolescentes (como foi a semana, acontecimentos especiais de algum aluno); a fase de desenvolvimento onde cada participante expõe as suas angústias de forma expressiva (pintura, escrita criativa, tabuleiro areia, dramatização, colagens), onde depois vamos explorar os sentimentos e emoções de cada um; a fase do encerramento, na qual tentamos conter e sustentar tudo o que se passou na sessão para todos se sentirem acolhidos."

Cristina Cruz considera que a arte-terapia pode ser desenvolvida em qualquer faixa etária. E há frutos que vão sendo colhidos. "O desenvolvimento da criatividade nas crianças e adolescentes proporciona-lhes uma integração diferente da sua forma de percepcionar o meio que os rodeia. De tal forma, que os mediadores da arte-terapia criam um leque de abertura para o próprio self", realça. Na sua perspectiva, há escolas que resistem a abrir a porta a essas experiências. "Penso que nem todas as escolas estão receptivas para esta intervenção. Na escola em que trabalho há uma grande receptividade para a mudança, logo tudo o que surge de novo, e que tenha resultados positivos, é bastante aceite", refere.

Irene Monteiro é psicóloga e está a terminar a formação de arte-terapia. Neste momento, trabalha com um grupo de vítimas de violência doméstica num projecto social. A técnica reconhece que a prática é relativamente nova e que, regra geral, ainda não faz parte de um projecto educativo alternativo. "A arte-terapia pode ser muito útil em contexto escolar porque pode trabalhar com uma população de crianças de risco, em risco de abandono escolar, com dificuldades de aprendizagem, com necessidades educativas especiais." "A intervenção da arte-terapia tem um carácter de tratamento quando há uma problemática instalada. A componente de integração é muito útil", afirma.

Irene Monteiro realça o que a metodologia em que a terapia dá as mãos à arte "trabalha muito de afectos, trabalha questões do foro emocional". "Nas necessidades educativas especiais, a intervenção é muito centrada nos défices cognitivos e a parte emocional, relacional, fica de fora", sublinha. "Na arte-terapia cabem muitas actividades, o que a diferencia é depois o que é feito sobre essas actividades. O arte-terapeuta não é alguém que diz à criança para fazer assim ou de forma diferente, que lhe diz que está bem ou que está mal", acrescenta.

O psicólogo Hugo Cruz usa a arte para trabalhar com alguns alunos recorrendo ao teatro-fórum. A partir de uma peça de teatro, os alunos podem trocar de papéis para mudarem o rumo da história, para tentar resolver problemas identificados na representação. Usa a arte e não a terapia numa lógica, explica, "mais preventiva e educativa e não tanto remediativa". A violência doméstica é o tema que tem percorrido vários estabelecimentos de ensino do concelho de Santa Maria da Feira, onde Hugo Cruz coordena o projecto municipal Direitos & Desafios. O psicólogo afirma que a arte-terapia faz todo o sentido nas escolas. "Pode ser um excelente instrumento para exteriorizar emoções relacionadas com as vivências na escola." "O facto de se ter uma má nota tem uma carga emocional e uma implicação muito fortes", alerta.

A arte-terapia ainda é pouco utilizada nas escolas portuguesas. Esta relação particular entre o sujeito, o objecto de arte e o terapeuta não consta nos planos curriculares. A metodologia é bastante abrangente, uma vez que recorre a diversas componentes artísticas como pintura, desenho, jogos, marionetas, música, expressão corporal, poesia, escrita livre e criativa, colagens, modelagens. Tudo o que estiver ao alcance para abordar emoções e sentimentos. O objecto de arte serve sobretudo para mediar as expressões.

Nas contas feitas pela Sociedade Portuguesa de Arte-Terapia (SPAT) há, neste momento, oito estabelecimentos de ensino a recorrerem a esta prática. "Temos vários membros a actuar em contexto escolar. No Porto, na Grande Lisboa, no Algarve, na Madeira, com grupos diversos em termos de idade, classe social, problemática, etc. A recepção desse tipo de intervenção costuma ser muito boa. Não é mais solicitada por desconhecimento por parte dos profissionais de educação", adianta Daniela Martins, da SPAT. A responsável defende que a arte-terapia deve ser usada em contexto escolar, abrangendo todas as faixas etárias. "As situações podem ser diversas, dependendo do objectivo do trabalho: apoio à aprendizagem, comportamento, desenvolvimento criativo e pessoal, apoio à educação especial, apoio ao desenvolvimento motor, problemáticas específicas do foro psiquiátrico, etc."

No caso concreto das necessidades educativas especiais, Daniela Martins realça que o método pode trazer vantagens ao nível do "apoio ao desenvolvimento cognitivo/motor, apoio à aprendizagem, criação de um espaço de confiança para liberação da dor, facilitar a espontaneidade, trabalhar questões relativas à eventual exclusão social, estimulação sensorial". "A arte-terapia costuma ser muito bem recebida nas escolas, com a utilização das mais variadas técnicas: expressão plástica, musical, dramática, corporal", remata.

Sara R. Oliveira - 2008
http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=47B34A8D1F5235B4E04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0


Por Walkíria Andrade F.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Foto: Walkíria Andrade F.

Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

(Adélia Prado)

Por Walkíria Andrade F.

O que é Individuação? 

Jung: imagem google

“Mudar requer sempre disposição para reconhecer os próprios defeitos e isso dói. Dói despregar-se daquilo em que sempre acreditamos, principalmente em relação a nós mesmos. Autoconhecimento traz muitas dores, mas é uma das únicas estradas que podem nos libertar e levar à realização pessoal mais verdadeira, onde concretizamos toda nossa potencialidade adormecida”.

Para Carl Gustav Jung a individuação é o grande sentido da vida. Mas o que seria esta individuação?

Individuação é o processo de diferenciação psicológica que tem como finalidade o desenvolvimento da personalidade individual. Esse objetivo, todavia, é alcançado por meio de informações arquetípicas e depende da relação vital existente entre ego e inconsciente.

Jung chamou de individuação o processo em que o ser humano torna-se ‘si mesmo’, inteiro, indivisível e diferente “de outras pessoas ou da psique coletiva”.

Jung em uma de suas cartas ao pastor Werner Niederer em 26 de março de 1951, fala da diferença entre perfeição e totalidade, e deixa claro que a totalidade é a meta para a individuação, não a perfeição.

Sobre a individuação, Jung refere-se “à união de luz e sombra, sofrimento e alegria, masculino e feminino”; unidade entre a consciência e o inconsciente; ponte entre as polaridades psíquicas, promovendo a sua união, e traz à consciência parte do conteúdo desconhecido pelo ego; tornar “si-mesmo”, como um ser inteiro, mesmo contendo opostos e diz que o princípio da individuação é a conciliação suprema de opostos.

Na individuação, no que se refere à integração das partes da personalidade, Jung aponta que é preciso lembrar que a personalidade do eu “não contém os arquétipos, mas é apenas influenciada por eles, pois os arquétipos são universais e pertencem a uma psique coletiva sobre a qual o eu não pode dominar”.

Nesse entendimento, o arquétipo é caracterizado por Jung como uma potência psíquica que tem como base a experiência da humanidade e que muito serve à sua individuação quando aparece como símbolo. Imagens específicas levam o sujeito à dimensão coletiva e arquetípica da psique que é distinta da pessoal, que pertence ao ego.

Para Jung, o primeiro estágio do processo de individuação é o confronto com a sombra e lembra que sobre a influência da proximidade entre as pessoas nesse processo, Jung diz: “Diminuir a distância entre as pessoas é um dos pontos mais difíceis e mais importantes do processo de individuação. O perigo é suprimir a distância unilateralmente, causando violação ou ressentimento. Todo relacionamento tem seu ponto ótimo em distância”.

Walkíria Andrade F.


Referência:
FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

sábado, 12 de junho de 2010



Foto: Walkíria Andrade F.. Trab.com argila


Definindo a Arteterapia

Arteterapia é o termo que designa a utilização de recursos artísticos em contextos terapêuticos; Esta é uma definição ampla, pois pressupõe que o processo do fazer artístico tem o potencial de cura quando o cliente é acompanhado pelo arteterapeuta experiente, que com ele constrói uma relação que facilita a ampliação da consciência e do auto-conhecimento, possibilitando mudanças. É um campo de interface com especificidade própria, pois não se trata de simples “fusão” de conhecimentos de arte e de psicologia. Isso significa que não basta ser psicólogo e “gostar de arte” ou ser artista arte-educador e “gostar de trabalhar com pessoas com dificuldades especiais”. A formação em arteterapia além das matérias de arte e psicologia necessárias, compreende também um corpo teórico e metodológico próprios, que abrange conhecimentos da história da arteterapia, conhecimento dos processos psicológicos gerados tanto no decorrer da atividade artística como na observação de trabalhos de arte, conhecimento das relações entre processos criativos, terapêuticos dos diferentes materiais e técnicas, conhecimento dos fundamentos teóricos e metodológicos da abordagem, vivência pessoal e prática supervisionada.

A Arteterapia é um caminho através do qual cada indivíduo pode encontrar possibilidades de expressão para, através de técnicas e materiais artísticos, processar, elaborar e redimensionar suas dificuldades na vida.
(Trechos extraídos de Ciornai, S. "Percursos em Arteterapia", 2004)

De acordo com o Family Guide to Alternative Medicine (Dicionário de Medicina Natural), a Arteterapia atende a qualquer pessoa que tenha problemas emocionais ou psicológicos ou queira saber mais sobre si própria, especialmente se acha difícil exprimir-se por palavras. É especialmente recomendado em grupo para pessoas com dificuldades no relacionamento com os outros ou que sofram de problemas, como Alcoolismo, Anorexia e Bulimia, Dependência de Drogras, Deficiências Físicas ou Mentais que interferem na capacidade de comunicação. Muitas vezes elas conseguem exprimir medos e necessidades que estão tão profundamente ocultos que a pessoa normalmente nem tem consciência deles. Dar-lhes uma forma visual, com tintas, barro ou qualquer outro meio artístico, pode ser a primeira fase no processo de cura, pois ajuda a pessoa a reconhecer seus problemas e a redescobrir sua capacidade criativa.

Ainda segundo este Dicionário de Medicina Natural: As pessoas que se preocupam por que julgam que não são capazes de desenhar ou pintar, são tranqüilizadas já no início do trabalho, pois que recebendo materiais diversos e conhecendo técnicas variadas têm a oportunidade de se expressarem espontaneamente resgatando o lado lúdico da infância, muitas vezes esquecido e abandonado à medida que cresceram e se tornaram adultos.

Departamento de arteterapia do Sedes
http://http://www.sedes.org.br/
 
 
Por Walkíria Andrade F.