sábado, 12 de junho de 2010



Foto: Walkíria Andrade F.. Trab.com argila


Definindo a Arteterapia

Arteterapia é o termo que designa a utilização de recursos artísticos em contextos terapêuticos; Esta é uma definição ampla, pois pressupõe que o processo do fazer artístico tem o potencial de cura quando o cliente é acompanhado pelo arteterapeuta experiente, que com ele constrói uma relação que facilita a ampliação da consciência e do auto-conhecimento, possibilitando mudanças. É um campo de interface com especificidade própria, pois não se trata de simples “fusão” de conhecimentos de arte e de psicologia. Isso significa que não basta ser psicólogo e “gostar de arte” ou ser artista arte-educador e “gostar de trabalhar com pessoas com dificuldades especiais”. A formação em arteterapia além das matérias de arte e psicologia necessárias, compreende também um corpo teórico e metodológico próprios, que abrange conhecimentos da história da arteterapia, conhecimento dos processos psicológicos gerados tanto no decorrer da atividade artística como na observação de trabalhos de arte, conhecimento das relações entre processos criativos, terapêuticos dos diferentes materiais e técnicas, conhecimento dos fundamentos teóricos e metodológicos da abordagem, vivência pessoal e prática supervisionada.

A Arteterapia é um caminho através do qual cada indivíduo pode encontrar possibilidades de expressão para, através de técnicas e materiais artísticos, processar, elaborar e redimensionar suas dificuldades na vida.
(Trechos extraídos de Ciornai, S. "Percursos em Arteterapia", 2004)

De acordo com o Family Guide to Alternative Medicine (Dicionário de Medicina Natural), a Arteterapia atende a qualquer pessoa que tenha problemas emocionais ou psicológicos ou queira saber mais sobre si própria, especialmente se acha difícil exprimir-se por palavras. É especialmente recomendado em grupo para pessoas com dificuldades no relacionamento com os outros ou que sofram de problemas, como Alcoolismo, Anorexia e Bulimia, Dependência de Drogras, Deficiências Físicas ou Mentais que interferem na capacidade de comunicação. Muitas vezes elas conseguem exprimir medos e necessidades que estão tão profundamente ocultos que a pessoa normalmente nem tem consciência deles. Dar-lhes uma forma visual, com tintas, barro ou qualquer outro meio artístico, pode ser a primeira fase no processo de cura, pois ajuda a pessoa a reconhecer seus problemas e a redescobrir sua capacidade criativa.

Ainda segundo este Dicionário de Medicina Natural: As pessoas que se preocupam por que julgam que não são capazes de desenhar ou pintar, são tranqüilizadas já no início do trabalho, pois que recebendo materiais diversos e conhecendo técnicas variadas têm a oportunidade de se expressarem espontaneamente resgatando o lado lúdico da infância, muitas vezes esquecido e abandonado à medida que cresceram e se tornaram adultos.

Departamento de arteterapia do Sedes
http://http://www.sedes.org.br/
 
 
Por Walkíria Andrade F.

segunda-feira, 17 de maio de 2010


Os arquétipos, os Símbolos e o Inconsciente Coletivo

                                                     Imagem: google

Para Souza (2009), antes de falarmos de símbolos e arquétipos, é preciso que falemos e expliquemos o conceito de inconsciente coletivo. Simplificando, “o inconsciente coletivo é a parte do inconsciente individual que resulta da experiência ancestral da espécie, ou seja, ele contém material psíquico que não provêm da experiência pessoal”. Jung, neste sentido faz uma comparação do inconsciente coletivo com ar, que é o mesmo elemento, as mesmas características e é igual em todos os lugares. É sentido e respirado por todos e não pertence a ninguém.

Souza (2009), explica ainda que “o conteúdo psíquico do inconsciente coletivo são os arquétipos”. Esses arquétipos se dão como um pensamento universal que tem uma carga afetiva específica, que é herdada. “As fantasias individuais são originadas desses arquétipos, assim como a mitologia de todas as épocas”.

Souza (2009) dá o exemplo do desejo de encontrarmos a “cara metade” e faz referência ao arquétipo do par Adão e Eva para isso, assim como da existência de outros arquétipos que representam a união de polaridades.

Por exemplo, esse desejo de encontrar a outra polaridade, essa vontade que vem do inconsciente é algo herdado, trazido de geração em geração, pela família, pela cultura, como um anseio que se propaga e vem reverberando, se propagando através dos tempos, pelos costumes, valores, conceitos, mitos, na forma de “uma tradição”, ou, por exemplo, de um mandato familiar, como um “padrão intergeracional” (da família), assim visto pela psicologia sistêmica. (ANDOLFI apud SILVA, 2008)

Explicando melhor o parágrafo acima, Jung afirma, os arquétipos são imutáveis e inatos, somente se transformam em símbolos ao entrarem na consciência, esses símbolos podem mudar em conformidade com a época e com a cultura, além de evoluírem e serem recicláveis. (SÃO PAULO, 2007)

Assim como diz Jung, como os arquétipos não expressam uma imagem ou conteúdo definido, somente uma variação de detalhes, ele ainda é muito mal compreendido. (SOUZA, 2009)

Sobre esta afirmação podemos lembrar da obra de Gilles Deleuze, que se expressa assertivamente nesta frase do próprio autor e de Felix Guattari: “O quanto se é tentado a se deixar prender aí, a se embalar aí, a se agarrar a um rosto...”. Exprime a necessidade do ser humano em dar rosto, forma, aos conceitos aprendidos para que, assim, seja compreendido. (ACIOLI, 2001)

Assim como esta outra frase da obra “O Grito é Nosso”, citada por Acioli (2001): “Quero confessar com sinceridade, mas meu coração está vazio. O vazio é um espelho que reflete em meu rosto”.(...) “Quero que Deus estenda as mãos para mim... que mostre seu rosto, que fale comigo!”

Neste sentido lembro, ainda de acordo com Acioli (2001), que a obra cinematográfica de Ingmar Bergman, comentada por Deleuze, sobre levar o rosto na direção do vazio traz essa concepção da necessidade do homem de dar rosto aos elementos. Ainda dentro deste pensamento podemos fazer referência a atitude de atribuirmos ao nosso deus uma face, como se não suportássemos a “desterritorialização”.

Os arquétipos estão em nós de várias formas, como é o caso, por exemplo, da figura materna, da mãe boa, do arquétipo do feminino na psique. Que acreditamos ser o amor materno como algo inerente à condição de mulher, como algo sublime, forte mas, ao contrário, explica Elizabeth Banditer em sua teoria do mito da maternidade, que este amor é como qualquer outro e pode variar de acordo com ambições, frustrações, cultura, podendo existir ou não na mulher, “aparecer ou desaparecer, ser forte ou frágil, ter preferência por um filho ou não” mas, ainda assim, insistimos em acreditar inconscientemente naquele amor materno mágico, maior que qualquer outro, que nos é ensinado desde que somos pequenos. (BANDITER apud SILVA, 2008, p. 38).

“Essas crenças arquetípicas não podem ser destruídas e permanecem em nós por toda a nossa existência mas necessitam ser constantemente trabalhados” e esses arquétipos representam as principais estruturas formadoras da nossa personalidade. (SOUZA, 2009)

Souza (2009), salienta que ao contrário dos arquétipos, que não têm conteúdo definido, o nosso inconsciente se expressa pelos símbolos que têm conteúdo definido, “é algo dinâmico e vivo” e vai além do consciente. Podem ser individuais ou coletivos e nos sonhos podem representar um conceito criado pela psique individual ou advindo do coletivo. Em sua obra Jung se reportou mais aos símbolos coletivos, em sua maioria religiosa, como por exemplo, a cruz, o martelo de Thor (símbolo da proteção Divina contra o perigo) entre outros.

Um símbolo, para ser internalizado, estruturado de uma forma diferente da qual foi inicialmente, não basta que mudemos o seu conceito, não basta sabermos a verdade sobre sua história - assim como o conceito do Martelo de Thor, que tem uma conotação negativa, símbolo de medo e desaprovação, uma vez que foi mal usado por Hitler - ele deve ser repetido várias vezes, para que seja desprogramado e reinternalizado na mente, com outra qualidade de sentimento e outro rosto. Esses símbolos podem se dar na forma de nomes, imagens familiares entre outros, mas para ser um símbolo trazem consigo algo mais que um simples significado e tem conotações específicas. (SOUZA, 2009)

Podemos citar vários símbolos, como Jesus, a Virgem Maria, Maria Madalena e Judas que carregam, cada um deles, diversas conotações específicas, com significados peculiares inconscientes que não podem ser explicados plenamente, mesmo para quem não é cristão.


Walkíria Andrade F.


Referência:
FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

Psicologia Junguiana: evento que acontecerá, ainda esse mes no Rio de Janeiro



Por Walkíria Andrade F.

terça-feira, 4 de maio de 2010




 Inteligência Espiritual - por Dana Zohar



 imagem:killuminati2012...

  
No livro QS - Inteligência Espiritual, lançado no ano passado, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma
 área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: "A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual".

Aos 57 anos, Dana vive em Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em física pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português. QS - Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record). Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 300 Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais trechos da entrevista:

O que é inteligência espiritual?

É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.

De que modo essas pesquisas confirmam suas idéias sobre a terceira inteligência?

Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experência espiritual. Tudo que influência a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.

Qual a diferença entre QE (Quociente Emocional) e QS (Quociente Espiritual)?

É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com o que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade.

No iní¬cio do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a descoberta da inteligência emocional mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções. A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual. Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.

Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:

1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo.
2. São levadas por valores. São idealistas.
3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade.
4. São holísticas.
5. Celebram a diversidade.
6. Têm independência.
7. Perguntam sempre "por quê?"
8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo.
9. Têm espontaneidade.
10.Têm compaixão.

Autora: LuaEstrela
Fonte:  http://www.sunnet.com.br/home/Noticias/Inteligencia-Espiritual-por-Dana-Zohar.html


Por Walkíria Andrade F.

segunda-feira, 3 de maio de 2010


Consciência

Imagem google

Para falarmos de consciência também devemos falar de sua característica mais central, o ego. Palavra de origem latina que significa “eu”. Consciência é a observação, percepção de nossos próprios sentimentos. A consciência guarda um “eu” central e a partir dele podemos fazer uma grande viagem no infinito espaço da psique onde podemos encontrar resposta, encontrar cada vez mais dúvidas ou criar novas perguntas. Jung sabia que a consciência do ego é a ferramenta para a investigação psicológica. E completa afirmando que o entendimento da psique ou de qualquer outra coisa irá depender do estado de consciência de cada pessoa. Neste momento devemos lembrar que o objetivo de escrever sua obra chave foi oferecer um entendimento crítico da consciência, descrevendo oito tipos psicológicos, estilos cognitivos distintos da consciência humana que vive e processam de formas diferentes as informações e a experiência de vida. (STEIN, 2005)

Jung diz que “Entendemos por ego aquele fator complexo com o qual todos os conteúdos conscientes se relacionam. É este fator que constitui, por assim dizer, o centro do campo da consciência, e dado que este campo inclui também a personalidade empírica, o ego é o sujeito de todos os atos conscientes da pessoa” (STEIN, 2005, p.23).

Stein (2005), explica ainda, que o termo ego dá nome à experiência que o indivíduo tem se si mesmo como um centro de vontade, de desejo, de reflexão e ação. Esse conceito de ego como um centro da consciência permanece constante do começo ao fim dos escritos de Jung.

Stein (2005) pontua, que ao definir ego, Jung estabelece uma diferença decisiva entre características conscientes e inconscientes da psique: “consciência é o que conhecemos e inconsciência é tudo aquilo que ignoramos”(p.23).

Grinberg (2003), explica que a consciência nasce a partir do inconsciente e se desenvolve gradativamente de acordo com alguns modelos. Assim como o corpo, a consciência também evolui e necessita igualmente de cuidados, cresce, adoece e transforma-se ao longo da vida.

Ainda segundo Grinberg (2003), a harmonização à vida interior e exterior é o papel principal do ego. À medida que a consciência aumenta e o ego se estrutura é como se a vida se tornasse mais tranquila. Funções psicológicas são ferramentas que o ego utiliza para vivermos melhor.


 Walkíria Andrade F.


Referência:
FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

                       

                             "ParaPollok"

“Gestuar” tua memória
transpor o teu sopro e já
com um olhar passivo
sonho de brincar
sereia, princesa
de bruxa sob o luar
crio cenários de conseqüências
atuar prenhe
identidade singular.

Walkíria Andrade F.
(primavera/2005)


    
"Furacão Rita" Tela: Walkíria Andrade F.

"Furacão Rita"
“Todo mundo é símbolo e magia?”

E poesias... E poesias eu fiz, para filosofar com essa arte ingrata a fim de me reencontrar. Encontrar-me em teus tons, com teu cheiro, com “teu cinza brilhante”, tuas memórias sem fim, só para dançar e chorar por tuas formas e me perder nelas e, de novo em tuas formas me encontrar.

E é pensando em Pollock, na sua loucura, sua fragilidade, na sua paixão e desapego ao compromisso com a vida que me permiti iniciar este texto, tentando atravessar algumas fronteiras para perseguir também, através da poesia, a construção do meu pensamento.

Com pinceladas explosivas acompanhadas de movimentos obstinados Pollock incorpora todo um processo antropológico para dar significado a suas ações e inserções que eram conduzidas num decurso de emoção, ritmo e poesia, traduzindo seus sentimentos e registrando uma referência por ordem do contexto social onde o pós-guerra conferia a humanidade muito conflito, doença, drama e sofrimento.

Segundo Hesse (1989), Pollock perseguia uma ordem que poderia ser o caos que ele buscava estruturar tão obstinadamente na expressão dos seus gestos.

Buscando compreender e expressar a idéia de fenômeno neste trabalho, me utilizo de conceitos expressivos da contemporaneidade para discutir e refletir a realidade existencial do ser, através da investigação caracterizada por vivências e memórias que se dão pela identificação do caráter indiciário.

“Furacão Rita” retrata uma realidade carregada de emoções constituídas por uma resistência ao presente, falta de estímulo e dificuldade para transformar um momento que me parecia nebuloso e sem açúcar até o instante em que percebi que o fazer artístico solicitava-me adjacente ao diálogo entre minha realidade e a realidade da academia, um maior comprometimento e envolvimento com o atual instante.

Numa provocante discussão o mestre Leandro Konder, no seu livro “as Artes das palavra”, defende o realismo de Fernando Pessoa como um realismo existencial interno e conta que o seu heterônimo, Álvaro de Campos, considera: “temos todos duas vidas, a verdadeira que é a que sonhamos na infância e a que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa, e a falsa, que é a que vivemos em convivência com os outros, que é a prática, a útil, aquela que acaba por nos meter no caixão”.

E, justamente dentro deste processo, num verdadeiro conflito existencial em que rejeitando técnica e suporte, invado o espaço pictórico e simulo um rompimento provocado por pinceladas agressivas e obstinadas, resultando na desconstrução de uma idéia, uma memória que não caberia mais ali.

Assim, nasce “Furacão Rita”, através da desconstrução da forma no plano para rebelar-se contra a tradicional expressão do ser enquanto agente criador. “Quando ocorre a transformação, o caos suplanta a permanência.” (Lippard, 1992, p. 192).

Conseqüentemente, esta ação que denomino de fenômeno, me propiciou um bem estar que foi essencial para o desbloqueio do processo criativo e harmonização do eu, fazendo-me sentir vazia, cheia da ausência de toda obrigação ou mesmo contestação. Pensar “o vazio como um estado necessário para se refletir sobre uma emergência”, contribuiu significativamente para uma melhor elaboração da minha realidade pessoal enquanto agente transformador e transgressor deste espaço do agora, do atual. (Herkenhoff, 2001, p. 26)

Sob uma percepção subjetiva “Furacão Rita” se aproxima da filosofia do expressionismo Alemão, quando segundo Harrison (1998, p. 63), os intelectuais do inicio do século XX acreditavam que através da arte o artista podia transmitir diretamente uma espécie de sentimento interior – emocional ou espiritual. “O que está envolvido nesses processos é explorado em Assim falava Zaratustra (publicado em partes na década de 1890), livro citado regularmente por membros do grupo Brücke, inicia para justificar suas atitudes declaradas em relação à arte. Nele Nietzsche usa a figura de Zaratustra para explorar e opor-se ao condicionamento cultural moderno. Ele declara a morte da religião e a perda do ‘significado’ convencional da vida (no sentido de propósito sobrenatural), defendendo uma tentativa de ‘superar’ esse condicionamento para descobrir outras de expressão e significado. (...) A metáfora da ponte (die Brücke) é usada por Zaratustra no livro para representar a jornada do homem da absorção numa cultura decadente para um estado de liberdade e ‘superação’. No prólogo, Nietzsche escreve em seu estilo epigramático característico: ‘O que é grande no homem é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem é que ele é uma abertura e uma passagem... Amo aquele que não retem uma gota de espírito para si mesmo, mas quer ser inteiramente o espírito de sua virtude: Assim ele transpõe a ponte como espírito.’ (em W. Kauffman, The Portable Nietzsche, p. 127)” (Harrison. p.65, 1998)

Com uma tendência expressionista para qualidade emocional aproprio-me de uma linguagem contemporânea para expressar e simular o rompimento do plano pictórico e desenvolver um tema que confere referência aos grilhões humanos. "Quero expressar meus sentimentos mais do que ilustrá-los”. (Pollock, 1914)

Contudo, “Furacão Rita” se distancia do expressionismo abstrato de Pollok, quando, ao perseguir um novo meio de representar minhas verdades subjetivas simulo o rompimento do plano pictórico através da desconstrução da forma, provocando com esta ação uma ilusão intencional da existência de uma nova dimensão no espaço.

Ainda insatisfeita com a conclusão da obra “Furacão Rita” me utilizo dos recurso da informática para apresentá-la por meio da impressão digital aplicada em poliestireno leitoso.

Finalmente, conduzindo o processo por um outro prisma,"um olhar amoroso", "Furacão Rita" ganha uma nova consciência e dimensão para dar origem à um outro trabalho que denominei de "Gradecidade".

"Furacão Rita” tem como técnica o uso da fotografia enquanto transfer sobre tela, de 80cm x 50cm, adicionada à tinta acrílica.
 

Walkíria Andrade F.
 
 
Referência:
FREITAS, Walkíria de A. R.. Paisagem. Monografia de graduação em Artes plásticas, Escola de Belas Artes (UFBA), Salvador – BA, 2009.

              
 I
Nise da Silveira: Imagem do google


Felinos e as janelas da mente

Nise da Silveira, veterana no combate aos métodos tradicionais de psiquiatria, escreve um pequeno e encantador tratado sobre gatos

Nise: (1905 - 1999)
Publicado em 1998

Aos 93 anos, Nise da Silveira está apaixonada. "Ele é lindo!", suspira a psiquiatra, quando pensa em Belo Antônio. Cinzento e felpudo, Belo Antônio é um das dezenas de gatos que habitam o Parque do Flamengo, área verde do Rio de Janeiro que a médica visita quando o tempo permite e a saudade de Carlinhos aperta. Há quatro meses, desde a morte do bichano Carlinhos, Nise enfrenta os dias sem companhia felina. Mais uma frustração para quem há seis anos sofre por se ver presa à cadeira de rodas e ter perdido uma sucessão de amigos - homens ou gatos. A alagoana que revolucionou a psiquiatria no Brasil e teve seus métodos de cura de esquizofrênicos, pelo afeto e pela alegria, admirados em todo o mundo remedia a saudade e a monotonia escrevendo um livro atrás do outro. No dia 22 de outubro, no Palácio da Cidade, sede da prefeitura carioca, ela vai lançar seu sétimo livro: Gatos, A Emoção de Lidar. Despretensioso, o livro é uma coleção de textos e poemas sobre gatos que Nise escreveu ou selecionou de outros autores. "Eu poderia ter feito um livro que acentuasse mais as maldades que as pessoas fazem com os animais. Mas a tristeza não acrescenta muito", diz Nise, já fazendo planos de escrever um novo livro.

À primeira vista, parece impossível que aquele fiapinho de senhora, dedos entortados pela idade e óculos grossos, possa escrever. Mas Nise escreve. A mão. Todo dia e sempre quando pode. "É um prazer", sorri. A próxima obra deverá ser sobre a psiquiatra Marie-Louise von Franz, sua mestra no período em que estudou em Zurique, no Instituto C.G. Jung, em 1957. Nessa época, Nise já era veterana na guerra contra os métodos tradicionais usados no tratamento da loucura, como os eletrochoques e a lobotomia, uma cirurgia que mutilava o cérebro. Formada em Medicina em 1926 - a única mulher numa turma de 156 homens -, Nise trabalhava em psiquiatria desde 1933. Em 1944, escalada para atender no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, recusou-se a dar choques em um paciente. Acabou transferida para o então desprezado setor de terapia ocupacional.

Nise percebeu que a pintura, o desenho e a modelagem poderiam ser meios de expressão para os pacientes impedidos pela esquizofrenia de usar a linguagem verbal. Em 1952, criou no Pedro II o Museu de Imagens do Inconsciente para preservar os trabalhos de seus clientes (como prefere chamar os doentes). A médica considera as obras - são mais de 300 mil - janelas para a psique, uma preciosa ajuda no entendimento dos "inumeráveis estados do ser". Mas críticos - especialmente Mário Pedrosa e Ferreira Gullar - se encantaram com a beleza de trabalhos de internos como Emydio, Adelina e Fernando Diniz. "Emydio estava internado havia 25 anos no Hospital Engenho de Dentro. Era o encarregado de levar a roupa do hospital para a lavandeira. Da primeira vez que pintou fez este quadro", diz Nise, apontando uma bela pintura na parede.

É um dos poucos enfeites nos dois apartamentos modestos do bairro do Flamengo onde Nise vive há quase 50 anos. O de cima é seu escritório, onde lê jornais e livros de Machado de Assis e literatura francesa; o de baixo, moradia. Os dois envelheceram com ela. As paredes estão descascadas; o chão, desbotado. Suas companhias são a secretária Deusilene Moreira Lago e Maria Nilsa Simplício, há 26 anos sua explosiva e carinhosa empregada. "Esta é minha chefe. Ela me repreende e eu aceito", diz, divertida, a médica, que às vezes deixa as duas tontas, com ataques de irritação e crises de insônia. "Nise tem um temperamento forte. É brigona", diz o sobrinho, o engenheiro Vladimir da Silveira.

Além das fotos do marido morto em 1986, o sanitarista Mário Magalhães da Silveira, há muitos retratos do pensador Carl Jung, em cujas idéias Nise baseou boa parte de seus estudos. O próprio psiquiatra suíço lhe deu a pista para a compreensão dos trabalhos dos internos, recomendando o estudo da mitologia. Jung visitou a exposição de obras dos internos do Pedro II que Nise levou para um congresso em 1957. "Ele gostou muito, pois os desenhos confirmavam suas teorias. Era uma pessoa muito simples", lembra, emocionada. Em 1969, Nise fundou no Brasil o primeiro grupo de estudos das obras de Carl Jung. Desde então, todas as noites de quarta-feira o apartamento onde mora está aberto para quem quiser aparecer. "Há muito por estudar", afirma Nise, presença certa. "Ela às vezes nos surpreende citando trechos de Jung, dizendo exatamente o volume e a página", diz Vera Macedo, diretora da Casa das Palmeiras, centro de tratamento que Nise fundou em 1952, em Botafogo. Grupos de estudantes vêm de outros estados para ouvir as discussões. "Quando ela entra na sala, muitas vezes é aplaudida. Acho que é sua única vaidade", conta seu sobrinho Vladimir.

Aos estranhos, ela garante que "fez pouco" em sua carreira. Mas, depois de assistir a uma peça escrita e desempenhada pelos clientes da Casa das Palmeiras, onde acontecem muitas outras atividades artísticas, segredou contente a Vladimir: "Se não existisse um lugar como esse, a maior parte deles estaria em hospícios". O próprio fotógrafo do livro, Sebastião Barbosa, foi um cliente da Casa e ainda hoje, volta e meia, procura a antiga médica e amiga para uma sessão de análise. "Ela resolve qualquer problema. Só não resolve falta de dinheiro", garante.

Autora: Anabela Paiva
http://epoca.globo.com/edic/19981005/cult4.htm#tit


Por Walkíria Andrade F.
   
   Foto: Walkíria Andrade F.

A  G A T A

Sentada na poltrona de vermelho estampado
A gata observava
A gata sonhava

Sentada na poltrona de vermelho estampado
A gata dormia
A gata espreguiçava

Sentada na poltrona de vermelho estampado
A gata acreditava
a gata encarnava

Sentada na cadeira de vermelho estampado
Que era rainha
A gata pensava.

Walkíria Andrade F.

Dedico essa poesia a minha linda gatinha "Lindinha" que já nos acompanha há cinco anos e com ela tenho aprendido muito.


Por Walkíria Andrade

quarta-feira, 28 de abril de 2010


A argila no processo terapêutico

"O barro toma a forma
que você quiser
você nem sabe
está fazendo
apenas o que o barro quer”.
 (Leminsk)


Foto: Walkíria Andrade F.

Esta técnica artística é milenar, e era utilizada pelas civilizações antigas para a confecção de utensílios domésticos como também de peças de grande valor simbólico com representatividade em culto e cerimônias sagradas, como os rituais de fertilidade, por exemplo. (SEIXAS, 2008)

“A argila é um material natural muito flexível e maleável. “Proporciona a oportunidade de fluidez entre material e manipulador como nenhum outro” (OAKLANDER, 1980, apud COUTINHO, p.80, 2007). Utilizada na criação de cerâmica, a argila ou o barro, é um dos materiais mais utilizados para a técnica da modelagem.

Comparada à massa plástica ou massinha, a argila é um material muito mais rico tanto nas possibilidades afetivas quanto no maior grau de intensidade da troca que o sujeito estabelece com ela, inclusive passando o calor de suas mãos para a massa, que, a princípio fria, ao ser manuseada vai se aquecendo. Quando seca, a argila ganha vários tratamentos como tinta, cal, queima em fornos especiais, verniz. “É muito raro cometer um “erro” ao trabalhar com argila, uma vez que se pode recomeçar e remodelar, transformando o que for preciso. E isto no contexto terapêutico é um ponto importante a ser trabalhado” (COUTINHO, 2007, p. 80).

Seixas (2008), nos diz que o barro tem a natureza primitiva por agregar os quatro elementos: o ar, o fogo, a terra e a água. “A argila ressecada precisa de água para tornar-se plástica e flexível e o calor das mãos irá moldar uma forma cuja permanência necessitará da utilização do fogo que devolverá o ar à atmosfera” (2008). E conclui quando diz que os quatro elementos unidos nos fazem retornar ao primitivo, as forças da mãe terra.

O poder do fogo, segundo o pensamento alquímico deixa evidente para o indivíduo que existe uma terra sólida no qual ocorre a circulatio dos quatro elementos onde a terra se transforma em água, e a água se transforma em ar, o ar em fogo e o fogo em terra, e isso corresponde psicologicamente às diferentes fases do processo de individuação. (SEIXAS, 2008)

A modelagem é muito importante para ativar o indivíduo que se encontra em um estado de estagnação e não consegue transmitir seus pensamentos e sentimentos a suas energias a fim de disponibilizá-los em sua vida. Com a modelagem registramos histórias, expressamos atitudes, e fazemos mudanças psíquicas, ao passo em que mudamos a forma na modelagem, transformamos nossas atitudes e emoções humanas. Além de despertar emoções adormecidas. (SEIXAS, 2008)

È imprescindível que o arteterapeuta esteja atento a cada gesto, cada movimento e cada emoção, facilitando o processo do indivíduo. Observar suas palavras (associações livres), o clima emocional, sua atitude, sua expressão corporal, e a percepção de qual arquétipo o está mobilizando; o tema livre escolhido por ele, como este elabora o tema sugerido pelo terapeuta, a composição, espaço, ritmo, dimensão da obra. As áreas vazadas nos dão condições de observar a intenção do indivíduo, mesmo inconsciente de se criar mais leveza ou atingir a sensação de se penetrar em área íntima.(SEIXAS, 2008)

O indivíduo poderá modelar uma forma criando saliências ou depressões, contorno indefinido ou bem definido. Cabe ao arteterapeuta procurar compreender, ou melhor, proporcionar ao indivíduo a compreensão da sua relação com o objeto criado. É importante também perceber qual a posição da obra do individuo que ele prefere observar, quais sensações essa imagem lhe traz, que sentimentos e associações podem ser feitas a partir daí. (SEIXAS, 2008)

“A possibilidade de trocar de forma com uma intensa rapidez traz em si a vivência do poder ser de diferentes maneiras, contudo sem perder a noção de si mesmo, representado no tipo de material que continua sendo o mesmo, apesar das diferentes transformações produzidas” (URUTIGARAY, p. 63, 2008).

Podemos usar para a manipulação da argila alguns materiais como clips, fios, correntes, palito de fósforo e de churrasco, barbante, régua e água. Para o acabamento as tintas guache, acrílica e gesso.


Walkíria Andrade F.


Referência:
FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

Abuso nos Relacionamentos Íntimos: As consequências danosas e irreversíveis do abuso sexual , psicológico e físico

Foto: www.ask.com/picturesr      

As relações interpessoais patológicas são aquelas em que um dos indivíduos ou os dois nutrem pelo outro o sentimento de posse. O sentimento do outro e tudo o que ocorre com sua intimidade psíquica é invadido por seu cônjuge adoecido.

Nesta relação disfuncional tudo o que se quer é o pleno domínio, e quando não se consegue ocorre o sofrimento.

O abuso nos relacionamentos íntimos traz efeitos danosos marcantes na qualidade de vida na saúde física e emocional. Segundo Ballone In Psiqweb.med, caracteriza-se abuso físico” O uso de ameaça, força física ou restrição imposta a outro no sentido de coagir, obrigar, castigar, causar dor ou injúria .”

A vítima de abuso físico geralmente encontra-se em desvantagem em relação ao seu agressor, podemos considerar que o agressor usará de algum recurso para violentar e atacar sua vítima que sem chances de defesa muitas vezes sofre silenciosamente . Cabe dizer que o abuso físico não necessariamente é praticado apenas por homens, as mulheres também violentam seus cônjuges porem as características do abuso é que são diferentes. Segundo pesquisas realizadas no México, Canadá e EUA, Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada diretamente, tendo em vista a habitual maior força física dos homens. Havendo intenções agressivas por parte da mulher, esses atos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade são as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. (psiqweb.med, 2007).

As características psicológicas das vítimas e dos agressores possuem traços próprios e que muitas vezes se convergem, geralmente uma vítima de violência não a está sofrendo pela primeira vez, a violencia contra seu eu já fora antes praticado por alguém que teoricamente deveria protegê-lo. Para uma vítima de agressão o ato em si torna-se naturalizado pois já foi experenciado na infância. Em psiqweb. Med lemos que “crianças traumatizadas, maltratadas, abusadas, abandonadas, ou seja, com prejuízo na formação do Vínculo Afetivo durante a infância apresentam, com freqüência, modelos inseguros de representação da realidade na idade adulta, com conseqüentes dificuldades no relacionamento íntimo. No futuro essas pessoas são, com mais freqüência, vítimas ou perpetradores de maus tratos nas relações interpessoais com as pessoas significativas. Além disso, através dessa Teoria do Vínculo, a pessoa vítima de maus tratos durante a infância constrói padrões inseguros de vinculação no relacionamento íntimo na idade adulta.”

O abuso sexual é qualquer conduta sexual com uma criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Isto também pode significar, além da penetração vaginal ou anal na criança, tocar seus genitais ou fazer com que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha, ou o contacto oral-genital ou, ainda, roçar os genitais do adulto com a criança.

Às vezes ocorrem outros tipos de abuso sexual que chama menos atenção, como por exemplo, mostrar os genitais de um adulto a um criança, incitar a criança a ver revistas ou filmes pornográficos, ou utilizar a criança para elaborar material pornográfico ou obsceno.

Entre adultos, o abuso sexual é habitualmente definido como “uma interação sexual conseguida contra a vontade do outro, através do uso da ameaça, força física, persuasão, uso substâncias facilitadoras ou outro recurso a uma posição de autoridade”

Crianças vítimas de abuso sexual estão propensas a desenvolver algum tipo de psicopatologia ao longo de seu desenvolvimento, sendo que os danos causados pelo abuso em si são irreversíveis tornando-se marcas profundas e impossíveis de serem removidas .

Por fim temos o abuso psicológico que é um padrão de comunicação, verbal ou não, com a intenção de causar sofrimento psicológico em outra pessoa. Muitas vezes o abuso psicológico é a única forma de abuso entre o casal, talvez por se tratar de uma atitude menos detectada como politicamente incorreta. O abuso psicológico é, às vezes, tão ou mais prejudicial que o abuso físico, e se caracteriza por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Não é um abuso perpetrado predominantemente pelos homens, como é o caso do abuso físico. Ele existe em iguais proporções em homens e mulheres. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida. (psiqweb.med, 2007)

Um tipo comum de abuso psicológico é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e adulação. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar o outro(a) tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exige atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

Outra forma de abuso psicológico é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

O abuso psicológico é, às vezes, tão ou mais prejudicial que o abuso físico, e se caracteriza por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Não é um abuso perpetrado predominantemente pelos homens, como é o caso do abuso físico. Ele existe em iguais proporções em homens e mulheres. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de abuso psicológico é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e adulação. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar o outro(a) tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exige atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

Outra forma de abuso psicológico é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

Agressões Psicológicas são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente. A Agressão Psicológica, como nas agressões em geral, depende do agente agressor e do agente agredido. Quando não há intencionalidade agressiva e o agente agredido se sente agredido, independentemente da vontade do agressor, a situação reflete uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido.

Havendo intencionalidade do agressor, o mal estar emocional produzido por sua atitude independe da eventual sensibilidade aumentada do agente agredido e outras pessoas submetidas aos mesmos estímulos, se sentiriam agredidas também.

A Agressão Psicológica é especialidade do meio familiar, e muito possivelmente, dos demais relacionamentos íntimos, chegando-se ao requinte de agredir intencionalmente com um falso aspecto de estar fazendo o bem ou de não saber que está agredindo. O simples silêncio pode ser uma agressão violentíssima. Isso ocorre quando algum comentário, uma posição ou opinião é avidamente esperado e a pessoa, por sua vez, se fecha num silêncio sepulcral, dando a impressão politicamente correta de que “não fiz nada, estava caladinho em meu canto...”. Dependendo das circunstâncias e do tom como as coisas são ditas, até um simples “acho que você precisa voltar ao seu psiquiatra” é ofensivo ao extremo, assim como um conselho falsamente fraterno, do tipo “não fique nervoso e não se descontrole”.

Não é o freqüente, no relacionamento íntimo, a agressão sem intencionalidade de agredir, ou seja, a agressão que é sentida pelo agente agredido, independentemente da vontade do agressor. Normalmente, pelo fato da família ser um grupo onde seus membros têm pleno conhecimento da sensibilidade dos demais, mesmo que a situação de agressão refletisse uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido, o agressor não-intencional deveria ter plena noção das conseqüências de seus atos. Portanto, argumentar que “não sabia que você era tão sensível” é uma justificativa hipócrita.

As atitudes agressivas refletem a necessidade de uma pessoa produzir alguma reação negativa em outra, despertar alguma emoção desagradável. As razões dessa necessidade são variadíssimas e dependem muito da dinâmica própria de cada família. Podem refletir sentimentos de mágoa e frustrações antigas ou atuais, podem refletir a necessidade de solidariedade emocional não correspondida (estou mal logo, todos devem ficar mal), podem representar a necessidade de sentir-se importante na proporção em que é capaz de mobilizar emoções no outro.

Autor: Ana Paula R. Rodrigues

Por Walkíria Andrade F.

domingo, 18 de abril de 2010


A SOMBRA

         img.blogs.abril.com.br/

"Se despertas o que tem dentro de ti, o que tem dentro de ti, te curará"

Esta frase nos fala da possibilidade de nos tansformarmos através do enfrentamento com nosso lado sombrio. Na psicologia analítica, a Sombra, faz referência ao arquétipo que é o nosso ego mais “sombrio”, mais reprimido, que nós desejamos que permaneça escondido por suas nuances maléficas, que podem ser indesejadas socialmente. “É o lado obscuro, ameaçador e indesejado de nossa personalidade; a parte de nós reprimida por conta do ideal do ego (aspiração de padrões considerados ideais por nós, pelos nossos pais ou pela sociedade)”. (RODRIGUES, 2009)

Jung acreditava que esse arquétipo foi herdado das formas inferiores de vida através da longa evolução que levou à formação do ser humano. A sombra traz consigo todas aquelas atividades, sentimentos e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aqueles que a sociedade, e até nós mesmos, não podemos aceitar. (JUNG, 1964)

A sombra nos leva a nos comportarmos de uma forma que normalmente não aceitaríamos e que igualmente a sociedade rejeitaria. E, quando isso ocorre, acabamos por afirmar e sentir que o fato foi gerado ou impulsionado por algo que estava além do nosso controle. Esse "algo" é a sombra, a parte primitiva, instintiva da natureza humana. (JUNG, 1964)

Para Zweig e Wolf (2000, p. 55), “a sombra se esconde em nossas vergonhas secretas. Descobrir a vergonha é descobrir uma flecha apontando diretamente para material de sombra”.

Apesar de ter esse aspecto sombrio e negativo, a sombra também carrega consigo um papel positivo, já que “é responsável pela espontaneidade, pela criatividade, pelo insight e pela emoção profunda”, características tão importantes ao pleno desenvolvimento humano. (JUNG, 1964)

O trabalho que Jung propõe é tornarmos a nossa sombra a mais clara possível. É tomarmos consciência não só da existência dela, mas fazermos contato com ela para que assim possamos melhorar seus aspectos e nos relacionarmos melhor com ela, fazendo com que nos relacionemos melhor com as nossas emoções e consequentemente com o mundo externo. (JUNG, 1964)

A sombra também pode ser projetada em outra pessoa, quando geralmente vemos no outro algo que nos incomoda, que pode nos dar “nojo” obrigando-nos a reagirmos intensamente, mas que na verdade pode não passar de uma rejeição de nossas próprias características negativas, negadas por nossa persona. (ZWEIG e WOLK, 2000)

Zweig e Wolk (2000), acrescentam também que se não nos conscientizarmos das sombras cristalizadas em nossos músculos e células ao longo dos anos, ficará muito difícil evitar que elas passem a contar suas histórias.

Walkíria Andrade F.

Referência: FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.

terça-feira, 6 de abril de 2010

    
Terapia floral uma riqueza de legado

     
             Foto: Google Imagens

Até o momento, não existe explicação alguma sobre o modo de ação das essências florais capazes de satisfazer aos critérios científicos atuais. Têm sido oferecidas hipóteses baseadas na química molecular, na cibernética e na física para explicar outros sintomas sutis de cura. É possível que elas também se apliquem aos florais. Considerando-se a expansão extremamente rápida do conhecimento nesses campos, será uma questão de tempo poder também as mudanças de energia produzidas por tais métodos sutis serem medidas e demonstradas por processos científicos.

Em 1934, Dr. Bach, criador do método Floral, escreveu o seguinte em relação ao modo como operam as Essências Florais: “A ação desses remédios consiste em elevar nossas vibrações e abrir nosso canal para a recepção do eu espiritual; em inundar nossa natureza com a virtude particular, e em expurgar de nós o erro que causa o mal. Elas nos curam, não atacando a moléstia, mas inundando-nos o corpo com as formosas vibrações da nossa natureza superior, na presença das quas a moléstia se derrete, qual neve ao calor do sol.”

“Não haverá cura verdadeira se não houver mudança na aparência, paz de espírito, e felicidade interior.” A princípio, isso pode parecer improvável a muita gente, mas tornar-se-á perfeitamente claro se, se compreender e aceitar a premissa em que o médico, homeopata Eduard Bach baseou sua linha de pensamento – semelhante a Hipócrates, Hahnemann e Paracelso, grandes homens que tinham o mesmo espírito.

Como terapeuta floral, e com experiência de alguns anos atendendo em consultório, sinto-me a vontade para dizer o quanto é importante e maravilhoso sentir e perceber a grande mudança que ocorre em todos os aspectos do ser humano em tão pouco tempo dentro do trabalho de terapia floral. Falo importante, pela necessidade urgente da crença na energia das flores em nossa vida como veículo em potencial para saúde mental e física. Pessoas com síndrome do pânico, sentimento de rejeição, inadequação, situações de perda em qualquer nível, traumas, magoas, intolerância, transição de fases que representam mudanças, em fim, o floral transforma a realidade interna do ser. Casais que se encontra em processo de adoção, por exemplo, estes geralmente lidam com crianças na maioria das vezes com comportamentos atípicos e dificuldade de relacionamento que são naturalmente oriundos de sentimento de profunda solidão, angustia baixa auto-estima. No entanto, ainda existe muita resistência por parte das pessoas a esse tipo de terapia, na maioria das vezes a falta de conhecimento contribui bastante, noutras a preguiça de tentar um jeito mais saudável de viver sem levar em consideração que qualquer veículo que nos ajude no processo de autoconhecimento, facilitará a nossa passagem aqui na terra de forma mais amorosa e integrada a vida.

Atendi há pouco tempo atrás, uma criança que se encontrava em processo de adoção por um casal de italianos. A menina de 6 anos carregava um profundo sentimento de carência afetiva, vazio interno, sentimento de separatividade, dissimulação, grande falta de energia da entrega e da confiança, principalmente em relação ao sexo feminino. Os florais administrados, em pouco tempo, não só acionaram e desbloquearam a energia que a princípio era a causa da dificuldade na relação filho-mãe, como também, despertou- a para qualidades como amorosidade, confiança e compreensão. Concluindo: A criança passou a conviver e relacionar-se principalmente com mais harmonia com a mãe adotiva que a princípio, era a pessoa que mais rejeitava.

Acredito ser as essências florais um dos poucos meios que ajudará a humanidade, tornar-se mais justa, solidária, equilibrada, uma sociedade menos doente, emocionalmente mais educada. Compreender que devemos e podemos administrar nossas emoções, reconhecer que somos os únicos responsáveis por tudo que nos acontece, torna-se necessário para que possamos ter mais saúde mental e conseqüentemente física.

O floral busca Integrar todos os níveis da existência humana: o corpo físico, o emocional e o mental, conseqüentemente trabalham os sentimentos, as emoções, os pensamentos e a vontade.

A ação do floral resulta num processo cumulativo poderoso. Através do profundo trabalho de expansão da consciência, atua na transformação e dissolução, tais como bloqueios energéticos e seus correspondentes sentimentos distorcidos que limitam a verdadeira expressão da essência, fonte de toda cura, sabedoria, criatividade e alegria.

As essências florais nos permitem responder a esses modernos desafios da alma. Elas nos ajudam a manter a nossa sensibilidade e nos trazem a força para trabalhar as adversidades do mundo.

Walkíria Andrade F.

Bibliografia:
SCHEFFER, Mechthild.Terapia floral do Dr. Bach: Teoria e prática. 12 ed.S.Paulo: Pensamento, 1997.
LAMBERT, Eduardo. Os estados afetivos e os remédios florais de Dr. Bach: um repertório completo para usar na terapia floral. 10 ed. São Paulo: Pensamento, 1997.
MUNDIM, Marcos de Oliveira e outros. Tratado de saúde Holística: Os florais de Bach na medicina da nova era. S. Paulo: Ground, 1994

domingo, 4 de abril de 2010


O que é Arteterapia?


Foto: Walkíria Andrade F.. Desenho de um paciente.


Instaurada em 1941 nos Estados Unidos, a “arteterapia”, propõe o uso de recursos artísticos como material, como ferramentas de um processo terapêutico, ou seja, é uma relação sistematizada de ajuda através de práticas e objetos providos das artes, que só foi reconhecida como profissão em 1969. Ela vem ganhando cada vez mais espaço nas áreas de desenvolvimento humano e saúde, principalmente na área de saúde mental, como uma nova forma de abordagem e modelo investigativo da psique humana. Esse novo modelo de processo terapêutico do século XX, explora o potencial criativo do indivíduo em sua singularidade, resgatando partes “adormecidas da criança” que cada um de nós guardamos; do criativo, do lúdico e do espontâneo. Propicia novas formas de expressão, comunicação e uma nova dialética com “questionamentos íntimos; das dores, medos, angústias, fantasias, reflexões...”. (MACIEL, 2008).

Malchiodi (1997, apud SEI e PEREIRA, 2009) diz que a Arteterapia representa um meio alternativo de atendimento psicológico, no momento em que se admitem as produções artísticas, atuarem como veículo de informações subjetivas, relevantes. Concordando com ela, quanto à importância do meio para a obtenção de informações, já que esta poderá ser transmitida de outra forma que necessariamente não precise ser verbalizada e, baseada na minha experiência nesse último ano enquanto arteterapeuta tenho que admitir o quão é valioso o trabalho com os símbolos e seus significados. Penso que é criando que o ser humano, principalmente a criança, faz suas infinitas descobertas, desenvolve sua expressão e imaginação espontaneamente, descarrega suas tensões e exterioriza suas alegrias, temores e fantasias. A prática da Arteterapia proporciona a harmonia corporal, o autoconhecimento, o amadurecimento.

Walkíria Andrade F.


Referência: FREITAS, Walkíria de A. R. Arteterapia em Consultório: uma viagem interior. Monografia de especialização em Arteterapia, Instituto Junguiano da Bahia (IJBA), Salvador – BA, 2009.